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Tecnologia e infância

Publicado dia: 16/08/2017


Hoje em dia, as telas são onipresentes na vida de quase todas as crianças, o digital é parte integrante de seu ambiente visual desde muito cedo.

 

A maior parte das recomendações estima que, antes dos três anos, o uso de telas não interativas, isto é, que não possibilitam nenhuma atividade sensório-motora não deveria ser utilizado. Nesse período inicial do desenvolvimento a criança vivencia o “como se”, a “fantasia” através das brincadeiras. Seu imaginário se solta, toma gosto pela ficção, pelo faz de conta, o real e o virtual se misturam, com uma rapidez onde o ritmo da criança, o tempo que ela precisa para passar do instante em que e exposta à imagem ao momento onde toma para si o aprendizado dessa interação, não é respeitado

 

A brincadeira, o jogo, são constituintes do humano. O brincar é ativo, a motivação é interna, a criança está atenta e consegue expressar suas emoções através da interação com o outro. Segundo Catherine L’Ecuye(2017),“a criança já nasce curiosa, com o desejo de conhecer as coisas e com uma capacidade de se maravilhar com uma quantidade mínima de estímulos, portanto não é preciso estimulá-la em excesso. Quando damos muito estímulos à criança, ela passa a depender de uma fonte externa e deixa de querer conhecer o mundo por si própria”.

 

É aconselhável que até os 5 anos, as crianças fiquem no máximo 1 hora diante das telas. O tempo aumenta para 2 horas para crianças de 6 a 12 anos e para 3 horas a partir dos 13 anos. Apesar da realidade nos mostrar que esses dados são uma utopia, cabe aos pais terem conhecimento de que em cada etapa do desenvolvimento são percebidas influências e interferências cada vez mais significativas no comportamento e na capacidade criativa.

 

Não devemos atribuir somente ao uso das tecnologias as dificuldades que as crianças ou adolescentes apresentam, mas também não podemos deixar de perceber como essas novas formas de comunicação influenciam na construção dos laços familiares e no convívio social. Sylvia Van Enck, psicóloga do Núcleo de Dependências Tecnológicas e de Internet (2015, USP), afirma que a superexposição tecnológica pode contribuir para déficit de atenção, prejuízo de aprendizagem e aumento da impulsividade”. A superexposição está relacionada também ao aumento da obesidade, dificuldade em lidar com sentimentos como a raiva, a frustração, em alguns casos percebemos uma dependência de aparelhos eletrônicos, interferindo na dinâmica familiar.

 

Andréa Jotta, psicóloga e membro do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática (2015,PUC-SP), considera o uso da tecnologia satisfatório, desde que com equilíbrio, sem exageros. “Os aplicativos para as crianças de até seis anos basicamente reproduzem brincadeiras corriqueiras, como juntar peças”.

 

Estamos apenas no ínicio das pesquisas para compreender os processos que acompanham o avanço da tecnologia e a forma como o sujeito se constitui, mas em relação à infância, o acompanhamento familiar nas atividades das crianças, a forma como a família apresenta o mundo para os pequenos, um tempo de qualidade no convívio familiar, são momentos que devem ser preservados durante todo o desenvolvimento infantil .

 

Referência:

L’Ecuyer Catherine, http://www.mundomaker.cc/blogposts/2017/3/3entrevista referente ao seu Livro Educar na Curiosidade(2017).

Jotta, Andrea. http://desenvolvimento-infantil.blog.br/elas-e-as-telas-e-tema-do-segundo-caderno-da-edicao-especial-sobre-primeira-infancia/2015.

Enck, Sylvia Van. http://desenvolvimento-infantil.blog.br/elas-e-as-telas-e-tema-do-segundo-caderno-da-edicao-especial-sobre-primeira-infancia/2015.

http://www.mundomaker.cc/blog-posts/2017/3/3

 

Autores

Claudia Longo, Psicóloga Clínica no Instituto Cyro Martins,

Laura de Cohen, Psicóloga Clínica no Instituto Cyro Martins,

Lucianne Torres, Psicóloga Clínica no Instituto Cyro Martins

Pascal Reuillard Psicólogo Clinico no Instituto Cyro Martins,

Suzana Rodrigues, Psicóloga Clínica no Instituo Cyro Martins

Artigo escrito por:
Instituto Cyro Martins

O Instituto Cyro Martins é uma instituição cientifica que visa o ensino, a prevenção e tratamento em saúde mental, com a participação de uma equipe multidisciplinar.



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