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Instituto Cyro Martins lança novo curso destinado à Psicoterapia do Adulto Maduro

Publicado dia: 21/12/2017


Amadurecer: Decifra-me ou devoro-te

 

O ciclo vital se caracteriza por sucessivas crises por reordenações, mas os aparentes platôs estão, na verdade, na iminência de transformações e a mercê do imprevisível.

 

As crises vitais explicitam e pontuam as mudanças que, na verdade, já habitavam o intimo do individuo, favorecendo uma reformulação e, ao mesmo tempo, uma confirmação do senso de identidade. Ou seja, a crise que se expressa, a cada passagem de fase vital, remete-nos sempre a quem somos, e quem somos é sempre uma novidade!

 

Estas travessias, além de serem demarcadas por mudanças físicas e emocionais, são pontuadas também por um restabelecimento das funções familiares e sociais.

 

O ambiente: a inserção familiar, social, e cultural do individuo, manifesta expectativas em relação à cada passagem. Mas estas expectativas podem se tornar grandes complicadores das crises que pontuam o ciclo vital, uma vez que muitas das exigências são contraditórias, podendo ser geradoras de sentimentos e fantasias de fracasso. Todo o percurso, através do ciclo vital,  é marcado por uma grande contradição angustiante: é-nos exigido, continuamente, que ocupemos o lugar tanto de quem faz  a manutenção da cultura como de quem transforma criativamente a cultura.

 

A psicologia e a teoria psicanalítica dedicaram-se intensamente a observação das etapas vitais: infância, adolescência e adultez jovem, desenvolvendo teorias e técnicas que embasaram as várias formas de psicoterapias para o tratamento  dessas fases. Embora, a senescência, um processo normal de envelhecimento, sempre tenha contemplado por parte da população humana, devido a pequena incidência populacional mundial de indivíduos que atingiam a longevidade, o olhar dos teóricos do comportamento descuidou-se dessa etapa do desenvolvimento.

 

Segundo Freud, os adultos após os 50 anos seriam pessoas que não teriam plasticidade psíquica, nem tempo de vida suficientes para serem beneficiados por tratamentos psicoterápicos … no que talvez tivesse razão nos idos de 1900… entretanto, saliento que Freud foi um grande exemplo de um envelhecimento, físico e psíquico, pleno de recursos plásticos e intensamente criativos, mesmo após ser acometido de câncer,  e até  falecer aos 83 anos!

 

Com o advento de recursos farmacológicos e o desenvolvimento da medicina, nos últimos cem anos ocorreu uma mudança demográfica radical: a população de idosos cresceu imensamente! Os velhos, que denomino adultos maduros, em sua maioria, atingem elevados índices de longevidade, com recursos físicos e psíquicos jamais vistos antes! E essa população de idosos, como ainda são classificadas, preconceituosamente, as pessoas acima dos 60 anos, são hígidos, saudáveis, potentes e criativos!

 

E são, ainda, uma “novidade” na população, onde ainda persiste o preconceito, associado ao envelhecimento como uma fase de involução e associada à morte. Porém se pode morrer em qualquer etapa vital…

 

É surpreendente constatar que a Psicologia e a Psicanálise ainda não percebem o processo vital do envelhecimento humano, sendo este como um ponto cego dos psicoterapeutas. Digo isso porque não desenvolveram o reconhecimento do adulto maduro como um paciente que merece um tratamento apropriado, sendo essa mais uma etapa vital e a mais longa e profícua do indivíduo. Apesar, inclusive, dos nossos consultórios estarem sendo invadidos por adultos maduros buscando tratamento…

 

No decorrer de mais de um século, olhamos e reconhecemos as dinâmicas diferenciadas dos sujeitos humanos e nos preparamos para recebê-los em psicoterapias específicas, inicialmente para os adultos jovens e posteriormente para infância e a adolescência, mas nada criamos para os adultos maduros!  Que certamente têm características próprias, que devem ser reconhecidas e tratadas com competência e conhecimentos apropriados.

 

As técnicas psicoterápicas não evoluíram o suficiente para dar conta dessa  nova faixa etária, uma demanda populacional crescente e que ainda não é “vista”, sofrendo as consequências, talvez, do preconceito vigente.

 

Autora: Adriana Mendonça

Dentro deste contexto, o INSTITUTO CYRO MARTINS iniciará em abril de 2018 o seu primeiro CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOTERAPIA DO ADULTO MADURO. Para saber mais sobre o curso e se pré-inscrever, clique aqui

Artigo escrito por:
Instituto Cyro Martins

O Instituto Cyro Martins é uma instituição cientifica que visa o ensino, a prevenção e tratamento em saúde mental, com a participação de uma equipe multidisciplinar.



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